GENTE
Entrevista Especial



Dra. Ana Eugênia

Nesta edição, o destaque da Coluna Gente, é a Dra. Ana Eugênia de C. Campos-Farinha, pesquisadora científica e assistente técnico de direção do Instituto Biológico de São Paulo.

O Instituto Biológico tem como missão desenvolver e transferir conhecimento científico e tecnológico para o negócio

agrícola nas áreas de sanidade animal e vegetal, visando a melhoria da qualidade de vida da população e de suas relações com o meio ambiente. Além disso, o Instituto Biológico presta serviço de identificação de insetos, além de sugerir o controle mais adequado para cada caso. 

Em entrevista para o Pragas On-line, a Dra. Ana Eugênia fala sobre sua carreira, formigas, e sua participação na 5º Conferência Internacional sobre Pragas Urbanas - 2005, realizado em Cingapura.

Entrevista

POL: Qual a sua formação?
Ana Eugênia: Sou bióloga formada na Universidade Federal de Uberlândia. Fiz minha pós-graduação (mestrado e doutorado) na UNESP de Rio Claro, Estado de São Paulo, em Zoologia.

POL: Qual é a sua atividade profissional?
Ana Eugênia: Trabalho como pesquisadora científica na sede do Instituto Biológico que fica na cidade de São Paulo. Desde março de 2004 estou como assistente técnico de direção da Instituição.

POL: Conte-nos sobre a sua área de atuação como pesquisadora.
Ana Eugênia:
Trabalho com formigas urbanas avaliando os aspectos da bioecologia das diferentes espécies, seu comportamento e controle, químico e biológico. Esta última linha de pesquisa, o controle biológico de formigas, está iniciando.

POL: Que tipo de contribuição um pesquisador científico como você dá para a sociedade?
Ana Eugênia:
Como comentei, atuo na pesquisa básica e aplicada. Estas duas áreas se complementam e os resultados das minhas pesquisas e dos meus alunos, tanto de iniciação científica, quanto de pós-graduação, dão subsídios para um controle sustentado das formigas urbanas, uma vez que sem o conhecimento da biologia das espécies, o controle está fadado ao insucesso. Além disso, como pesquisadora científica transmito a informação através de cursos e treinamentos, que venho fazendo com freqüência ao longo dos anos, bem como através das publicações, sejam elas como artigos científicos, onde o público alvo são os alunos e outros cientistas, como textos de divulgação em diferentes revistas de linguagem para o público leigo.

POL: O que o público leigo deve saber sobre formigas urbanas?
Ana Eugênia:
Deve saber que além de incômodo, as formigas são indesejáveis em ambientes hospitalares e de alimentação, uma vez que veiculam microrganismos patogênicos, como bactérias e fungos. Algumas espécies podem infestar equipamentos eletrônicos e outras podem picar dolorosamente, podendo ocasionar riscos à saúde de pessoas alérgicas, principalmente crianças. Me refiro, principalmente, as formigas lava-pés, que devem ser criteriosamente controladas em creches, escolas e parques de diversão.

POL: Caso alguém queira obter informações sobre qual espécie ocorre em sua residência e como controlá-la, qual o procedimento a ser tomado?
Ana Eugênia:
O Instituto Biológico presta serviço de identificação de insetos, além de sugerir o controle mais adequado para cada caso. Para tanto, o consulente deve encaminhar as formigas em frascos com álcool para a Triagem Vegetal. É importante que o frasco esteja etiquetado com as informações de local da coleta, data e nome do coletor, escritos à lápis. Maiores informações sobre custo e endereço, podem ser acessados no www.biologico.sp.gov.br.

POL: Você (esteve na 5a. Conferência Internacional sobre Pragas Urbanas (5th International Conference on Urban Pests-ICUP) ocorrida de 10 a 13 de julho em Cingapura. Fale-nos um pouco sobre o evento.
Ana Eugênia:
O evento foi muito bem organizado e o fato de escolherem a Ásia para a realização da conferência foi bastante interessante. O continente asiático abriga algumas das cidades mais populosas do planeta, sendo que a população urbana da região Leste deste continente cresce aproximadamente 10% a cada década. Como a qualidade de vida é medida pela qualidade das cidades e uma parte significativa desta qualidade é medida pelo controle das pragas urbanas, os entomologistas urbanos da Ásia têm um papel fundamental nesta questão.

Profissionais de todo o mundo das áreas de pragas urbanas, incluindo os da saúde pública, foram recebidos no evento. Cingapura, que se localiza na ponta da Península da Malásia, é um país moderno e em desenvolvimento, que reflete os aspectos chaves do crescimento e desenvolvimento do século 21.

As quatro conferências anteriores foram realizadas na Europa e América do Norte: Cambridge 1993, Edimburgo 1996, Praga 1999 e Charleston, EUA em 2002.

POL: Quantas pessoas participaram desta Conferência e qual o número de trabalhos apresentados?
Ana Eugênia:
Foram 280 participantes de 30 países. Haviam pesquisadores científicos, controladores de pragas urbanas, pessoal da indústria de pesticidas e funcionários de órgãos governamentais. Foram apresentados 76 trabalhos orais e 45 pôsteres, sendo que todos eles estão impressos nos Anais da Conferência, além de estarem copiados em CD Rom.

POL: Quais foram os tópicos discutidos no evento?
Ana Eugênia:
Estratégias de manejo de formigas, baratas e cupins, controle de vetores de doenças, aversão de iscas pelas baratas alemãs e comportamento de forrageamento de cupins.

POL: Dentre estes tópicos, houve algum que lhe chamou mais a atenção?
Ana Eugênia:
As abordagens foram muito interessantes, mas uma em especial mostrou como a pesquisa básica tem um impacto importante na indústria. O título da conferência foi "A importância da identificação precisa de cupins na perspectiva geral do manejo destes insetos" de Laurence G. Kirton do Forest Research Institute Malaysia em Kuala Lampur, Malásia. O pesquisador discutiu sobre a identificação correta das espécies pragas do gênero Coptotermes (cupim subterrâneo), originário do Sudeste da Ásia, que foi largamente dificultada pela confusão sobre a identidade das principais espécies pragas, contida na literatura. Foi mostrado recentemente que existe uma única espécie de Coptotermes, que é C. gestroi, e não três espécies como pensava-se anteriormente, ocorrendo do nordeste da India, Burma, Tailândia, Malásia e no arquipélago da Indonésia. Como resultado, a espécie uma vez conhecida por C. havilandi, que se pensava ter sido introduzida a partir desta região para a América do Norte, Brasil e diversos outros países, deveria ser C. gestroi. C. havilandi é agora conhecida por ser uma espécie que habita florestas que não foi registrada infestando apartamentos na Península da Malásia ou qualquer outra área. A espécie praga verdadeira é nestas áreas geográficas é C. gestroi, que pensava-se anteriormente ocorrer somente na Tailândia, Burma e nordeste da India. As incertezas continuam a existir como o status de diversas espécies semelhantes de C. havilandi, tais como C. vastator nas Filipinas e C. heimi na India. Estes problemas levaram a indústria a entender que mais de uma espécie de cupim subterrâneo ocorria nas diferentes regiões do mundo, mas hoje sabe-se que C. gestroi é a predominante.

POL: Existe a possibilidade deste evento ocorrer no Brasil?
Ana Eugênia:
Sim, na verdade, já está agendado para ser realizado em São Paulo em 2011. Em 2006 será em Budapeste, Hungria.

POL - Finalmente, você gostaria de comentar algo mais?
Ana Eugênia:
Gostaria de agradecer ao Pragas On-Line por participar deste quadro de entrevistas e aproveitar para parabenizá-los do excelente trabalho na divulgação de conteúdo confiável sobre Pragas Urbanas.

POL - Ana obrigado pela entrevista, desejamos sucesso para você e para o Instituto Biológico e gostaria de colocar o Pragas On-line à sua inteira disposição. 

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