Avaliação de
biodegradabilidade
PORTARIA Nº 393,
DE 15 DE MAIO DE 1998
A Secretária de Vigilância Sanitária,
no uso de suas atribuições,
Considerando a necessidade de complementar a
Portaria Ministerial 112, de 14 de maio de 1982, que determina que as substâncias
tensoativas aniônicas, utilizadas na composição de produtos Saneantes Domissanitários
de qualquer natureza, devem ser BIODEGRADÁVEIS;
Considerando a Lei 6360/76 e o Decreto 79094/77,
resolve:
Art. 1º Estabelecer o "Método para
Determinação da Biodegradabilidade de Tensoativos Aniônicos", com validade em todo
Território Nacional, conforme Anexo I da presente Portaria.
Art. 2º Esta Portaria entrará
em vigor na data de sua publicação, ficando revogada a Portaria SVS nº 120, de 24 de
novembro de 1995 e as demais disposições em contrário. MARTA NOBREGA MARTINEZ
ANEXO I MÉTODO PARA DETERMINAÇÃO DA BIODEGRADABILIDADE DE TENSOATIVOS
ANIÔNICOS
SUMÁRIO:
1. Objetivo
2. Campo de aplicação
3. Definições
4. Siglas
5. Condições gerais
6. Condições específicas
7. Referências
8. Anexos
A. Determinação de tensoativos aniônicos em
produtos comerciais e extratos.
B. Determinação de substâncias ativas ao azul
de metileno para o ensaio de biodegradabilidade.
OBJETIVO
Este Procedimento Operacional Padronizado (POP)
estabelece a metodologia a ser adotada para determinação da biodegradabilidade de
tensoativos aniônicos utilizados na composição de saneantes ou tensoativos aniônicos
puros.
CAMPO DE APLICAÇÃO
Este POP aplica-se à análise de todos os
produtos que contenham tensoativos aniônicos comercializados no Brasil.
DEFINIÇÕES
Para efeito deste POP são adotadas as seguintes
definições:
3.1 - Tensoativo biodegradável - é uma
substância química com propriedades tensoativas, susceptível de decomposição e
degradação por microrganismos e que, em decorrência desses processos, não dê origem a
substâncias consideradas nocivas ao meio ambiente ou que possuam grau de toxicidade
superior ao da substância tensoativa original.
3.2 - Grau de biodegradabilidade - é expresso
em percentagem e refere-se a substâncias ativas ao azul de metileno que desaparecem sob
as condições do ensaio.
3.3 - Substâncias ativas ao azul de metileno -
referem-se aos compostos aniônicos capazes de reagir com o azul de metileno.
SIGLAS
São usadas no texto deste POP as seguintes
siglas:
n-DBSS - n-Dodecil benzeno sulfonato de
sódio
TPBSS - Tetrapropileno benzeno sulfonato de
sódio
SAAM - Substância ativa ao azul de
metileno
MAM - Método do azul de metileno
EPI - Equipamento de proteção individual
EPC - Equipamento de proteção coletiva
CONDIÇÕES GERAIS
5.1 - Este método consiste na medida da
biodegradação dos tensoativos presentes na amostra, sob condições específicas, tendo
como referências o n-DBSS e o TPBSS, testados em paralelo como critério de verificação
da validade do ensaio.
5.2 - Substâncias químicas, em especial,
álcalis fortes, metais tóxicos, bactericidas e solventes inorgânicos , em solução ou
no ambiente, que impeçam a atividade dos microrganismos, podem retardar o processo de
degradação ou influenciar no resultado final.
5.3 - Compostos alcalinos e outras substâncias
presentes em alguns produtos detergentes podem interferir no valor do pH. Por esta razão,
o ensaio deve ser desenvolvido em soluções tampão utilizando o tensoativo obtido por
extração alcóolica a partir do produto comercial.
6. CONDIÇÕES ESPECÍFICAS
6.1 - Preparo das amostras
6.1.1 - Agentes tensoativos puros podem ser
submetidos ao ensaio em seu estado original. Deve ser determinado o teor de SAAM pelo
Método do Azul de Metileno descrito no Anexo A, para o preparo das soluções
teste.
6.1.2 - Extração dos agentes tensoativos
presentes no produto comercial:
produtos formulados devem sofrer uma extração
alcóolica de acordo com as seguintes condições:· extração alcóolica: se a amostra
contém menos sabão do que SAAM;· extração alcóolica e remoção do sabão: se a
amostra contém mais sabão do que SAAM.
Deve ser determinado o conteúdo de SAAM de
ambos os extratos para o preparo das soluções teste, bem como, na amostra em análise,
segundo o procedimento contido no Anexo A.
A extração é realizada com a finalidade de se
eliminar os componentes inorgânicos e/ou insolúveis que poderiam interferir no ensaio de
biodegradabilidade. A eliminação quantitativa desses componentes não é necessária,
assim como não é necessária a extração quantitativa dos tensoativos. Entretanto, o
extrato deve conter, pelo menos 90% das substâncias que respondem ao azul de meti leno,
contidas na amostra.
6.1.2.1 - Material e equipamentos
6.1.2.1.1 - Reagentes e soluções:
água deionizada;
isopropanol P.A.;
carbonato de potássio P.A. ;
hidróxido de sódio P.A. ;
solução de ácido clorídrico 2N;
solução de hidróxido de sódio a
10%;
n-hexano P.A.;
metanol P.A.
6.1.2.1.2 - Vidraria: filtros Buchner;
kitasatos de 250 ml ;
funis de separação de 250 ml;
bécheres;
balões volumétricos de 250 e 1000 ml;
pipetas volumétricas de 1, 5 e 10
ml;
erlenmeyer de 250 ml com tampa
esmerilhada.
6.1.2.1.3 - Equipamentos:
banho-maria;
agitador magnético.
6.1.2.2 - Procedimentos para produtos que
contêm menos sabão do que SAAM
6.1.2.2.1 - Procedimento para produtos em
pó:
pesar aproximadamente 10 g da amostra;
pulverizar bem e transferir para erlenmeyer de 250 ml com tampa esmerilhada;
adicionar 20 ml de solução saturada de K2CO3
(duas vezes em volume a massa da amostra);
adicionar 30 ml de isopropanol (3 vezes em
volume a massa da amostra);
agitar em agitador magnético por 30
minutos;
filtrar em buchner, lavando o resíduo com 10 ml
de isopropanol;
transferir as duas fases do filtrado para um
funil de separação;
recolher a fase do isopropanol em um
bécher;
extrair a fase aquosa com 10 ml de isopropanol
agitando por 1 minuto;
juntar os extratos alcoólicos, desprezando a
fase aquosa;
filtrar os extratos em cadinho filtrante com
placa porosa nº 4;
evaporar o extrato alcoólico em banho-maria,
sem secar completamente;
redissolver em água e transferir
quantitativamente para balão volumétrico de 250 ml completando o volume com água
destilada;
determinar o teor de tensoativo extraído
procedendo a análise através do método descrito no Anexo A;
com base na concentração de tensoativo
declarado na amostra, calcular a percentagem de tensoativo extraído e, só prosseguir o
ensaio, caso este valor seja maior ou igual a 90%.
6.1.2.2.2 - Procedimentos para produtos
líquidos:
caso o produto apresente caráter ácido deve
ser neutralizado com KOH 10% até pH entre 6,0 e 8,0 antes da adição do K2CO3;
contendo o produto cloro ativo, o mesmo deve ser
inativado com sulfito de sódio antes da neutralização, verificando a completa
inativação do cloro;
pesar 20 g do líquido em erlenmeyer de 250 ml
com tampa esmerilhada;
adicionar 8 a 10 g de K2 CO3 para saturar a
água presente no líquido;
adicionar 30 ml de isopropanol;
repetir o procedimento descrito para produtos em
pó a partir da alinea d, da seção 6.1.2.2.1.
6.1.2.3 - Procedimentos para produtos que
contêm mais sabão do que SAAM:
pesar 10 g da amostra e transferir para
erlenmeyer com tampa esmerilhada;
adicionar 10 ml de solução saturada de K2CO3 e
5 g de K2CO3 sólido;
adicionar 30 ml de isopropanol;
repetir o procedimento descrito para produtos em
pó a partir da alínea d até k da seção 6.1.2.2.1;
redissolver o resíduo em 60 ml de
metanol;
acidificar com HCl 2 N até pH próximo de
3;
adicionar 20 ml de água para cada 30 ml de
metanol;
transferir para funil de
separação;
extrair com duas porções de 30 ml de n-hexano,
desprezando as mesmas;
transferir a fase metanol/água para um bécher
(ou outro recipiente), neutralizar com NaOH a 10%, evaporar o metanol em banho-maria,
dissolver o resíduo com água destilada e levar a 250 ml em balão volumétrico;
determinar o teor de tensoativo extraído
procedendo a análise através do método descrito no Anexo A;
com base na concentração de tensoativo
declarado na amostra, calcular a percentagem de tensoativo extraído e, só prosseguir o
ensaio, caso este valor seja maior ou igual a 90%.
6.2 - Ensaio de biodegradabilidade
6.2.1 - Obtenção e tratamento do
inóculo
6.2.1.1 - Material:
frascos de vidro âmbar de 1000 ml;
funil de vidro;
proveta de 250 ml;
bastão de vidro;
gaze;
papel de filtro.
6.2.1.2 - Procedimentos:
coletar uma amostra de esgoto de aproximadamente
1000 ml, em frasco de vidro âmbar, da saída do filtro biológico de uma estação de
tratamento de esgoto doméstico. A estação deve estar em funcionamento regular. Evitar
coleta em dias chuvosos, assim como após lavagem de tanques e remoção do
conteúdo;
filtrar a amostra coletada em papel de filtro ou
gaze e algodão, sendo os primeiros 200 ml, aproximadamente, descartados e o restante
guardado em condições aeróbicas até o momento do ensaio. O inoculo deve ser utilizado
no dia da coleta;
alternativamente poderá ser utilizado, como
inoculo, solo de jardim, procedendo-se da seguinte maneira:
pesar 100 g de solo fértil de jardim (com baixo
teor de argila, areia e matéria orgânica) e suspender em água destilada ou da torneira
, desde que seja isenta de cloro, para obter 1000 ml. Deixar em repouso por 30
minutos;
filtrar o sobrenadante através de papel de
filtro, desprezando os primeiros 200 ml. Manter o restante do filtrado em condições
aeróbicas até o momento do ensaio. O inoculo deve ser utilizado no dia do preparo.
as amostras do inoculo devem apresentar, no
mínimo, 100.000 unidades formadoras de colônias (u.f.c) / ml. A contagem deve ser feita
pelo Método de "pour-plate" para contagem de microrganismos heterófilos em
placas.
6.2.1.3 - Quantidade de inoculo:
determinar a quantidade apropriada de inoculo,
experimentalmente, quando o método for utilizado pela primeira vez e quando ocorrer
mudança na natureza do mesmo, da seguinte maneira:
realizar ensaios preliminares (item 6.2.3) com
as duas referências (item 6.2.2.1) de forma a determinar a quantidade de inoculo
necessária para causar a biodegradação das mesmas, de acordo com as suas
especificações. Geralmente, a quantidade de 0,5 ml / l é adequada.
É recomendado checar a quantidade de inoculo
periodicamente e especialmente quando são observadas mudanças no grau de
biodegradabilidade das referências.
6.2.2 - Material e equipamentos
6.2.2.1 - Referências de
biodegradabilidade
6.2.2.1.1 - Referência n-DBSS - substância com
grau de biodegradabilidade mínima de 90%.
6.2.2.1.2 - Referência TPBSS - substância com
grau de biodegradabilidade máxima de 35%.
6.2.2.2 - Reagentes e soluções:
água destilada ou deionizada livre de metais
tóxicos (especialmente cobre);
solução de cloreto de mercúrio a 1%.
6.2.2.3 - Meio mineral
Para um litro de água destilada ou deionizada,
adicionar 1 ml de cada uma das seguintes soluções: a) solução A:
| Fosfato monopotássico
P.A |
8,50
g |
| Fosfato dipotássico
P.A |
21,75
g |
| Fosfato dissódico
dihidratado P.A |
33,40
g |
| Cloreto de amônio P.A |
1,70
g |
| Água destilada ou
deionizada |
1000,00
ml |
O valor do pH desta solução deve ser
7,2.
b) solução B:
| Sulfato de magnésio
heptahidratado P.A. |
22,50
g |
| Água destilada ou
deionizada |
1000,00
ml |
c) solução C:
| Cloreto de cálcio P.A |
27,50
g |
| Água destilada ou
deionizada |
1000,00
ml |
d) solução D:
| Cloreto férrico
hexahidratado P.A |
0,25
g |
| Água destilada ou
deionizada |
1000,00
ml |
Distribuir em porções de 500 ml em erlenmeyers
de 1000 ml.
Autoclavar a 121º C durante 15 minutos.
.2.2.4 - Equipamento específico
Aparelho agitador com capacidade para
erlenmeyers de 1000 ml.
6.2.2.5 - Preparo das soluções de referência
n-DBSS e TPBSS: preparar soluções estoque contendo 1 g/l de SAAM;
determinar precisamente a concentração dessas
soluções pelo Método descrito no Anexo A.
6.2.3 - Procedimentos:
testar as amostras e referências em duplicata
simultaneamente. Empregar preferencialmente técnicas assépticas;
para cada 500 ml do meio mineral contidos nos
erlenmeyers de 1000 ml, adicionar 2,5ml da solução estoque de n-DBSS a fim de se obter
uma concentração final de 5 mg/l. A seguir, adicionar uma quantidade de inoculo
determinada de acordo com o item 6.2.1.3. Proceder da mesma maneira para a referência
TPBSS e para as amostras. Os sistemas teste devem estar livres de espuma;
retirar então de cada sistema teste, uma
alíquota de 20 ml e determinar o teor de SAAM pelo Método descrito no Anexo B;
o valor médio das concentrações deve estar
entre 4,5 e 5,5 mg/l de SAAM, com precisão mínima de 0,1 mg/l;
caso as determinações não sejam realizadas
dentro de três horas, adicionar uma quantidade da solução de cloreto de mercúrio, de
forma a obter uma concentração final de 50 mg/l;
colocar os erlenmeyers no aparelho agitador e
mantê-los sob agitação constante de forma a proporcionar a aeração do sistema (em
torno de 150 rpm), a uma temperatura de 25 ± 1ºC , ao abrigo da luz. O ambiente deve
estar livre de produtos e materiais tóxicos, especialmente solventes clorados, fenóis e
benzeno;
retirar alíquotas de 25 ml no 5º dia de
incubação para determinar o conteúdo de SAAM;
a partir do 8º dia retirar alíquotas em dias
alternados aumentando o volume de cada alíquota à medida que a biodegradação vai se
processando, sendo de 100 ml na última amostra.
6.2.4 - Critério para o encerramento do
ensaio
Encerrar o ensaio quando a diferença entre dois
valores num período de 4 dias for inferior a 0,15 mg/l. De qualquer forma a duração do
ensaio não deve exceder 19 dias.
6.2.5 - Cálculo dos resultados :
traçar uma curva de biodegradação utilizando
a concentração da substância ativa das amostras e referências em mg / l versus o tempo
em dias;
calcular a percentagem de
biodegradação das amostras e das referências através da seguinte fórmula: AT = CO
- CT x 100 % CO
Onde: AT = percentagem de biodegradação no
tempo t.
CO = concentração inicial média da solução
(em mg SAAM/l).
CT = concentração de solução no tempo t (em
mg SAAM/l).
c) o grau de biodegradabilidade de uma amostra
(AE) é o valor de AT quando o valor de CT chega ao patamar definido em 6.2.4;
d) a média aritmética dos valores
correspondentes à AE das duas réplicas ensaiadas é o grau de biodegradabilidade da
amostra;
e) para amostras cujas curvas de biodegradação
não apresentem as condições condições do item 6.2.4, o grau de biodegradabilidade é
calculado com os valores obtidos no 19º dia.
6.2.6 - Validade dos resultados Os resultados
são válidos sob as seguintes condições:
a referência n-DBSS deve apresentar um grau de
biodegradabilidade superior a 90%, no período de 14 dias, sendo normalmente necessários
7 a 10 dias.
a referência TPBSS não deve biodegradar mais
do que 35%.
Nota:
Usar EPI (avental, luvas, óculos de
proteção)e EPC (capela) ao manipular os reagentes químicos principalmente metanol,
clorofórmio e cloreto de mercúrio.
6.2.7 - Interpretação dos resultados
A amostra é considerada satisfatória quando o
grau de biodegradabilidade do tensoativo testado for igual ou superior ao grau de
biodegradabilidade definido para o n-DBSS no item 6.2.2.1.1, considerado como referência
de biodegradabilidade para este ensaio.
7. REFERÊNCIAS
AMERICAN Public Health Association. Standard
methods for the examination of water and wastewater/prepared and published jointly
by American Public Health Association, American Water Works Association and Water
Pollution Control Federation . 18 ed Washington, D.C., C 1992. p.5-36 a 5-38; 9-35 a
9-36.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 112,
de 14 de junho de 1982. Ref. substâncias tensoativas aniônicas, utilizadas na
composição de saneantes de qualquer natureza, devem ser biodegradáveis . Diário
Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, jun. 1982. p.10904, Seção 1,
pt.1.
ORGANISATION for Economic
Co-operation and Development. Pollution By Detergents. Determination of the
biodegradability of anionic synthetic surface active agents. Report submitted by the
Expert Group on Biodegradability of Synthetic Detergents. Paris, 1971. ANEXO
A DETERMINAÇÃO DE TENSOATIVOS ANIÔNICOS EM PRODUTOS COMERCIAIS E EXTRATOS
A. 1. - Material e equipamentos:
filtros Buchner;
kitasatos de 250 ml;
bécheres;
balões volumétricos de 250 e 1000 ml;
erlenmeyer de 250 ml com tampa;
pipetas volumétricas de 3,10 e 20 ml;
provetas de 100 ml com tampa;
buretas;
banho-maria;
agitador magnético.
A. 2 - Reagentes:
a) isopropanol P. A.;
b) carbonato de potássio P.A.;
c) hidróxido de potássio P.A.;
d) ácido clorídrico P.A. ;
e) hidróxido de sódio P.A.;
f) n - hexano P.A.;
g) clorofórmio P.A.;
h) metanol P.A.;
i) lauril sulfato de sódio P.A.;
j) cloreto de benzetônio P. A.;
k) azul de metileno;
l) ácido sulfúrico concentrado P.A.;
m) 3,8 - diamino - 5 -metil - 6 -
fenilfenantridium bromide (Dimidium Bromide);
n) azul de bissulfina vn - 150.
A. 3 - Procedimento
Poderá ser utilizado o Método do Indicador
Misto ou o Método do Azul de Metileno
A. 3.1 - Preparo das soluções:
indicador misto:
solução estoque: pesar exatamente cerca de
0,25 g de azul de bissulfina vn - 150 em um bécher de 50 ml e 0,5 g de brometo de 3,8 -
diamino - 5 - metil - 6 - fenilfenantridium (Dimidium Bromide) em outro bécher de 50 ml.
Adicionar a cada bécher, 25 ml de solução de metanol a 10 % (aquecida). Transferir as
soluções para um balão de 250 ml e completar o volume com solução de metanol a
10%;
solução indicadora: misturar em balão
volumétrico de 500 ml, 20 ml de solução estoque, 20 ml de H2 SO4 2,4 M ou 3 ml de H2SO4
concentrado e levar ao volume com água destilada.
solução padrão de cloreto de benzetônio
0,004 M:
secar aproximadamente 2 g de cloreto de
benzetônio em estufa a 100º C por 1 hora, esfriar em dessecador até temperatura
ambiente e pesar com precisão cerca de 1,80 g de cloreto de benzetônio, dissolver em
água, acrescentar 0,4 ml de NaOH 50% e transferir para um balão volumétrico de 1000 ml,
completando o volume com água destilada;
padronizar esta solução com lauril sulfato de
sódio padrão de 0,004 M.
solução padrão de lauril sulfato de sódio
0,004 M:
pesar com precisão cerca de 1,15 g de lauril
sulfato de sódio seco a 100º C por 1 hora, dissolver em água e completar para 1000 ml.
Calcular a concentração utilizando a concentração (% p/p) determinada no item
A.3.2.
d) solução de azul de metileno:
dissolver 0,5 g de azul de metileno em água
destilada e completar para 100 ml.
e) solução ácida de azul de metileno:
adicionar 120 ml de ácido sulfúrico 2 N, 50 g
de sulfato de sódio anidro, 6 ml de solução de azul de metileno e completar com água
destilada para 1000 ml.
f) ácido sulfúrico 2 N:
diluir 54 ml de ácido sulfúrico (densidade
1,84) em 200 ml de água destilada e completar o volume para 1000 ml.
A. 3.2 - Padronização do lauril sulfato de
sódio
pesar com precisão 5 ± 0,2 g de lauril sulfato
de sódio em um balão de fundo redondo de 250 ml com junta esmerilhada e adicionar 25 ml
de ácido sulfúrico 1N, através de uma bureta de 50 ml, adaptar o condensador e manter
em refluxo. Durante os primeiros 5 a 10 minutos a solução irá espumar. Quando cessar a
espuma, ferver levemente durante 2 horas. Parar o aquecimento e esfriar a solução. Lavar
o condensador com 30 ml de água destilad a, remover o frasco do condensador adicionando
algumas gotas de fenolftaleína e titular com hidróxido de sódio 1N até o aparecimento
do primeiro tom de rosa. Processar um branco da mesma maneira como descrito para a
solução padrão de lauril sulfato de sódio;
cálculo: % p / p =
28,84 (a - b) P
Onde: a = volume em ml de hidróxido de sódio
1N, utilizado na titulação de lauril sulfato de sódio;
b = volume em ml de hidróxido de sódio 1N,
utilizado na titulação do branco;
P = peso em gramas de lauril sulfato de
sódio.
A. 3.3 - Procedimento utilizando o Método do
Indicador Misto:
transferir para um balão volumétrico de 250 ml
uma quantidade da amostra que contenha, aproximadamente, 1 miliequivalente grama de
tensoativo aniônico, adicionar 100 ml de H2O destilada, 3 gotas de fenolftaleína e
ajustar o pH da solução com hidróxido de sódio ou ácido sulfúrico diluído até a
coloração rosa pálido. Completar o volume com H2O e transferir um volume conveniente
desta s olução para uma proveta de 100 ml com tampa e adicionar 10 ml de solução
indicadora mista e 10 ml de clorofórmio;
titular com solução de cloreto de
benzetônio;
ponto final: fase orgânica passa de rosa para o
primeiro tom de azul.
A.3.4. - Procedimento utilizando o Método do
Azul de Metileno:
transferir uma quantidade de amostra que
contenha, aproximadamente 1 miliequivalente grama de tensoativo aniônico e diluir em
água destilada para 250 ml;
pipetar um volume conveniente desta solução
para uma proveta de 100 ml, adicionar 25 ml da solução ácida de azul de metileno e 15
ml de clorofórmio;
titular com solução padrão de cloreto de
benzetônio, até a igualdade de tom de azul entre a fase orgânica e a aquosa.
A.3.5 - Cálculo % = FD
X PM X M X V X 0,1 P
Onde: FD = fator de diluição
PM = peso molecular da amostra
M = molaridade do titulante
V = volume gasto em ml
P = peso da amostra
ANEXO B DETERMINAÇÃO DE SUBSTÂNCIAS ATIVAS AO AZUL DE METILENO PARA O ENSAIO DE
BIODEGRADABILIDADE
B. 1 - Material e equipamentos:
espectrofotômetro UV/ visível;
funis de separação de 250 ml;
pipetas volumétricas de 1, 3, 5, 10, 15, 20,
25, 50 e 100 ml;
provetas de 10, 50 e 100 ml;
buretas de 25 e 50 ml.
B. 2 - Reagentes:
lauril sulfato de sódio P.A.;
fenolftaleína P.A.;
hidróxido de sódio P.A.;
ácido sulfúrico concentrado P.A.;
azul de metileno ;
clorofórmio P.A.;
peróxido de hidrogênio 10 V.;
fosfato de sódio monobásico P.A.;
etanol P.A.;
isopropanol P.A..
B. 3 - Procedimento
B. 3.1 - Preparo das soluções:
solução estoque de lauril sulfato de sódio a
1000 ppm:
dissolver 1 g de lauril sulfato de sódio em
1000 ml de água destilada;
solução padrão de lauril sulfato de sódio a
10 ppm:
diluir 1 ml da solução estoque em 100 ml de
água destilada;
solução de fenolftaleína em meio
alcoólico:
dissolver 1g de fenolftaleína em 60 ml de
etanol e diluir com água destilada até 100 ml;
solução de hidróxido de sódio 1 N:
dissolver 40 g de hidróxido de sódio em água
e completar para 1000 ml;
solução de ácido sulfúrico 1 N:
diluir 30 ml de ácido sulfúrico concentrado em
água e levar a 1000 ml;
solução de ácido sulfúrico 6 N:
diluir 167 ml de ácido sulfúrico concentrado
em água e levar a 1000 ml;
solução de azul de metileno:
dissolver 100 mg de azul de metileno em 100 ml
de água. Transferir 30 ml para um balão de 1000 ml, adicionar 500 ml de água, 41 ml de
ácido sulfúrico 6 N e 50 g de fosfato de sódio monobásico; agitar até dissolver e
completar o volume com água.
solução de lavagem:
adicionar 41 ml de ácido sulfúrico 6 N em
balão volumétrico de 1000 ml e 50 g de fosfato de sódio monobásico; agitar até
dissolver e completar o volume com água.
B. 3.2 - Preparo da curva de calibração:
tomar 10 funis de separação de 250 ml e
adicionar a cada um 0, 1, 3, 5, 7, 9 ,11,13,15,20 ml da solução padrão e água
suficiente para completar o volume de 100 ml. Adicionar gotas de NaOH 1 N tendo
fenolftaleína como indicador, até obter coloração rosa pálida e descorar em seguida
com H2 SO4 1 N. Adicionar 10 ml de clorofórmio e 25 ml de azul de metileno, agitando
vigorosamente por 30 s;
caso haja formação de emulsão adicionar 10 ml
ou menos de isopropanol que deverá ser usado em todos os padrões e amostras;
separar a fase orgânica para outro funil de
separação e repetir por duas vezes o processo de extração com 10 ml de clorofórmio,
juntando as fases orgânicas;
adicionar à fase orgânica 50 ml da solução
de lavagem agitando vigorosamente por 30 s (não deve formar emulsão). Filtrar a fase
orgânica para um balão volumétrico de 50 ml (com lã de vidro) e completar o
volume;
determinar a absorbância a 652 nm usando o
clorofórmio como branco;
traçar o gráfico concentração de tensoativo
(ppm) x absorbância.
B. 3.3 - Determinação da concentração de
tensoativos na amostra
Tomar uma alíquota da amostra para obter uma
concentração entre 0,2 ppm e 4,0 ppm e proceder como descrito no item B.3.2,
determinando a concentração a partir da curva de calibração obtida.
B. 3.4 - Cálculos x = y
- a x F d b
Onde: x = concentração em ppm
Y = absorbância da amostra
a = intercepto
b = coeficiente angular da reta
Fd = fator de diluição |