Como controlar o bicho-de-pé


Ilustração do adulto da pulga Tunga penetrans

Segundo a pesquisadora Edna Clara Tucci, do Instituto Biológico, o bicho-do-pé (Tunga penetrans) é uma pulga que se aloja dentro da pele do hospedeiro (homem ou animal), ocasionando a tungíase, infecção caracterizada por inchaços dolorosos ao redor de onde o inseto penetrou. 

A pulga adulta procura um hospedeiro para se alimentar do seu sangue e, ao atingir a pele, mergulha a cabeça e o corpo, deixando para fora apenas a extremidade posterior do abdômen e começa a se alimentar. Com o acúmulo de ovos, seu abdômen se expande, atingindo o tamanho de um grão de ervilha. Quando os ovos ficam maduros, são expelidos.

Uma fêmea pode produzir, entre sete e dez dias, de 150 a 200 ovos, os quais, em solo úmido, darão origem às larvas e pupas. As larvas se desenvolvem no solo,em locais protegidos de luz.

Segundo Edna Clara, os principais hospedeiros são porco, homem, cão, gato e roedores. O homem adquire o parasita ao caminhar descalço em áreas contaminadas. A pulga penetra principalmente na sola do pé, no calcanhar, no canto dos dedos dos pés e das mãos,mas também pode-se pegar o bicho-do-pé em qualquer local do corpo.

Para combater o parasita, a pesquisadora afirma que é preciso identificar no ambiente os locais propícios para o seu desenvolvimento.

A retirada de folhas secas (limpeza) e a manutenção do jardim e o corte da grama são fundamentais para o sucesso do controle. As pulgas se desenvolvem em locais sombreados: áreas ensolaradas dificultam o seu desenvolvimento.

No caso dos cães, deve-se lavar o lugar onde eles dormem, deixando os panos de molho por um dia em água e sabão e, posteriormente, expostos ao sol para eliminação das larvas. Para prevenir novas infestações, os animais devem estar protegidos com inseticidas de longa ação residual, pois as pulgas podem sobreviver por longos períodos no ambiente.

“O tratamento no ser humano consiste na retirada do parasita e na limpeza do local, tratamento este feito em condições assépticas e por um médico”, informa.

Texto: Edna Clara Tucci - Pesquisadora do Instituto Biológico de São Paulo
Fonte: Instituto Biológico