Como se cuidar das pragas do Carnaval


Algumas pessoas podem apresentar alergia devido a simples presença de alguns insetos e ácaros. As baratas por exemplo, são responsáveis por 30% das alergias humanas, resultado de um estudo feito nos Estados Unidos. Existem pessoas que são extremamente alérgicas a picadas de insetos, podendo inclusive chegar a um choque anafilático fatal com a simples picada de uma abelha. Algumas doenças são transmitidas por insetos que são chamados de vetores, como várias espécies de mosquitos que transmitem a malária, a febre amarela, a filariose, o dengue, entre outras doenças importantes e os barbeiros que transmitem a doença de chagas. Algumas moscas podem causar míiases, isto é, suas larvas crescem no tecido vivo tanto do homem como de outros animais, causando feridas e infecções secundárias.

Mas não são só os insetos os vilões desta história. Ratos transmitem a hantavirose, doença letal que vem acometendo pessoas de vários Estados brasileiros; os pombos transmitem a criptococose, fungo que cresce em suas fezes e que ocasiona uma micose que danifica os pulmões e o sistema nervoso central do homem. Transmitem também a psitacose, vírus que ocasiona febre alta e dores de cabeça. Os carrapatos podem causar dermatoses que ocasionam inflamação, prurido, edema e ulceração no local da picada; perda de sangue, condição séria com desenvolvimento de anemia nos animais fortemente infestados; otocaríase, infestação do canal auditivo pelos carrapatos, com possíveis infecções secundárias; toxemia e paralisias, causadas pela inoculação de saliva tóxica nos vertebrados.

Seguem algumas doenças transmitidas por animais:

ARBOVIROSES (doenças transmitidas por mosquitos e ácaros)

Arboviroses são doenças virais transmitidas para o homem por meio de artrópodes (insetos e aracnídeos). Estes vírus são denominados arbovírus.

As arborivores são extremamente complexas e envolvem vários hospedeiros vertebrados e invertebrados. No organismo do artrópode vetor, os vírus multiplicam-se sem causar-lhes qualquer dano. Os vírus são então transmitidos para o homem no ato do repasto sangüíneo.

Existem vários gêneros de arbovírus, onde citam-se alguns importantes:

Alphavirus – vírus das encefalomielites – transmitidos por mosquitos

Arenavirus – vírus Junin, causador da febre hemorrágica argentina e da febre hemorrágica boliviana – não existem evidências de que esses vírus sejam transmitidos por artrópodes.

Bunyavirus – agentes da encefalite da Califórnia e o vírus Oropouche, isolado na Ilha de Trinnidade responsável por várias epidemias no Pará, em 1961, 1967 e 1968.

Flavivirus – vírus da febre amarela e das encefalites russa e de Saint Louis.

Rhabdovirus – encerra vários vírus relacionados morfologicamente com o vírus da raiva, entre os quais cinco causadores da estomatite vesiculosa do gado bovino, sendo que quatro podem causar infecção no homem.

Somente quatro famílias de artrópodes hematófagos, são implicados como vetores naturais de arbovírus: Culicidae, Ceratopogonidae, Psychodidae e Ixodidae.

CRIPTOCOCOSE

A criptococose é uma micose, ocasionada pelo Cryptococcus neoformans, que atinge com mais freqüência os pulmões e o sistema nervososo central. Causa infecção no pulmão, rins, próstata, ossos ou fígado, demonstrando poucos sintomas localizados. Na pele podem aparecer lesões, tais como úlceras ou tumores subcutâneos. Provavelmente a forma de contaminação se dá pela inalação dos fungos contidos nas fezes de pombos e o contágio não acontece de pessoa para pessoa. Os pombos não são contagiados pelo fungo. Apesar do Cryptococcus neoformans ser encontrado com grande freqüência no ambiente, esta doença não é comum, ocorrendo casos esporádicos em todas as partes do mundo. Sugere-se que o homem possua uma resistência considerável a este fungo. No entanto, todas as raças são susceptíveis, e a probabilidade de um homem adulto adquirir a doença é duas vezes maior que nas mulheres. Cães, gatos, cavalos, vacas, macacos e outros animais também podem adquirir a doença.

Uma vez detectada a doença, o serviço de saúde pública deve ser imediatamente alertado. O paciente não necessita ficar isolado e os locais por ele utilizados devem ser investigados, principalmente ambientes com acúmulo de fezes de pombos tais como parapeitos de janelas, ninhos de pombos e aviários.

A criptococose é uma infecção oportunista em pacientes com AIDS e se não tratada pode levar à morte.

DENGUE

O dengue é uma doença transmitida pelo mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. A doença é acometida de febre aguda que se caracteriza por um início repentino, permanecendo por 5 a 7 dias. O doente apresenta dor de cabeça intensa, dores nas articulações e musculares, seguidas de erupções cutâneas 3 a 4 dias depois. Surge sob a forma de grandes epidemias, com grande número de casos.

Existem quatro tipos diferentes de sorotipos do vírus do dengue, denominados dengue 1, 2, 3 e 4. Algumas manifestações do dengue são hemorrágicas, isto é, o paciente apresenta hemorragia severa e choque. Nestes casos, após um período de febre, o estado do paciente piora repentinamente, com sinais de insuficiência circulatória, apresentando pele manchada e fria, lábios azulados e, em casos graves, diminuição da pressão do pulso. Instala-se então uma síndrome de choque do dengue podendo levar o paciente ao óbito. Os casos de dengue hemorrágico ocorrem mais freqüentemente quando o paciente é acometido pela segunda vez da doença, mas com exposição a diferentes sorotipos da doença.

ELEFANTÍASE (ver FILARIOSE)

ESQUISTOSSOMOSE

As pessoas que são infectadas pela esquistossomose normalmente não apresentam sintomas, entretanto, aquelas com sintomas podem apresentar a fase aguda ou a fase crônica. Na fase aguda as pessoas apresentam coceira no local por onde as cercárias penetraram. Febre, dores musculares, dor de cabeça, perda de apetite, emagrecimento, suor frio e dores de barriga podem ser ocasionados. O fígado fica levemente aumentado e dolorido quando se faz a palpação. Na fase crônica, o paciente pode apresentar três quadros distintos: o intestinal, com diarréia, cansaço, perda de apetite e barriga dolorida quando se faz a palpação; o hepato-intestinal os mesmos sintomas acima relatados aparecem, porém são mais acentuados, neste quadro o fígado fica com o volume aumentado e o quadro hepato-esplênico, quando fígado e baço apresentam lesões acentuadas. Este último é o quadro mais grave, onde o paciente apresenta varizes no esôfago, com sangue no vômito e nas fezes. A barriga fica aumentada e com líquido (barriga d’água).

FEBRE AMARELA

O mosquito do dengue Aedes aegypti também é responsável pela transmissão de um vírus chamado flavivirus que causa a febre amarela. No Brasil, a doença é endêmica nos Estados de Roraima, Amazonas, Pará, Maranhão, Acre, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e no território do Amapá.

Os sintomas da febre amarela são mal estar e febre alta. Estando com estes sintomas, o paciente deve procurar imediatamente um médico pois a doença evolui rapidamente para náuseas, vômitos, hemorragias na boca, nariz e no aparelho digestivo, além da pele ficar com um tom amarelado (icterícia). A doença provoca lesões graves nos rins e fígado e pode levar a morte.

Quem viaja para regiões onde a doença é endêmica deve tomar vacina dez dias antes do embarque. A validade da vacina contra a febre amarela é de dez anos e ela pode ser encontrada gratuitamente nos postos de saúde.

FILARIOSE

A infecção causada pela presença do verme (helminto) Wuchereria bancrofti é denominada filariose ou elefantíase.

Grande parte da população infectada não apresenta qualquer sintomatologia clínica, passando, muitas vezes, a doença despercebida. Alguns pacientes apresentam sintomas leves, porém outros mostram deformações consideráveis que podem atingir gânglios e membros.

As formas adultas do verme são encontradas nos vasos linfáticos, induzindo a distorções, disfunções e inflamação do sistema linfático. Alojam-se, muitas vezes, no escroto causando graves deformações. A elefantíase, um aumento considerável e dor do órgão ou membro afetado, é um sinal clássico do estágio final da doença. Os vermes adultos vivem de 4-6 anos, dando origem a milhões de formas larvais, denominadas microfilarias, que circulam nos vasos linfáticos e sangue, de onde podem ser retirados pelos mosquitos e transmitidos a outras pessoas.

A doença é transmitida por várias espécies de mosquitos. No Brasil, a espécie Culex quinquefasciatus é o principal vetor. Esta espécie suga o sangue durante a noite e sua distribuição restringe-se a alguns Estados. Dentre as regiões que ainda apresentam ocorrência da doença listam-se: Recife, Jaboatão e Olinda (em Pernambuco) e em Maceió (Alagoas).

LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA

Transmitida pelo inseto vetor do gênero Lutzomyia, também conhecido como flebótomo, cuja fêmea pica um mamífero parasitado (animal) e ingere, juntamente com o sangue, os protozoários da leishmaniose (Leishmania braziliensis braziliensis). Esta transmite ao homem a doença inoculando as formas do parasita. O paciente infectado pode apresentar a forma benigna ou maligna da doença. Na forma benigna aparece uma lesão no local da picada com os bordos salientes. Na forma maligna ocorre a lesão primária e a lesão secundária. Nestes casos podem haver um comprometimento maior de grandes áreas de pele formando nódulos, pápulas ou crostas que podem vir a deformar o paciente.

MALÁRIA

A malária é um dos problemas mais sérios e complexos de saúde enfrentados pela humanidade no século 20. Aproximadamente 300 milhões de pessoas no mundo foram infectadas pela doença e aproximadamente 1 a 1,5 milhões de pessoas morrem a cada ano. A doença restringe-se atualmente a alguns países da África, Ásia e América Latina. O problema é agravado pela falta de estrutura na saúde e pelas condições socioeconômicas menos favorecidas. A situação piorou nos últimos anos, pois houve aumento na resistência dos parasitas às drogas normalmente utilizadas para seu controle.

A Malária é causada por um protozoário do gênero Plasmodium. Quatro espécies de Plasmodium podem ocasionar a doença em suas várias formas: Plasmodium falciparum, Plasmodium vivax, Plasmodium ovale e Plasmodium malaria. P. falciparum é a forma mais disseminada e perigosa das quatro. Quando não tratada pode levar a uma forma fatal de malária cerebral.

Os parasitas são transmitidos de uma pessoa para outra pela fêmea de três espécies do mosquito do gênero Anopheles. As fêmeas possuem hábito crepuscular e noturno, e depositam seus ovos em ambientes naturais onde empoçam água. As espécies deste gênero que possuem papel como vetores da malária são: Anopheles darlingi e Anopheles oswaldoi.

MÍIASES

As míiases são afecções causadas pela invasão de tecidos ou órgãos do homem ou de animais pelas larvas de dípteros (moscas).

ONCOCERCOSE

A oncocercose é uma doença parasitária crônica causada por um verme (nematodo) chamado Onchocerca volvulus, transmitido por várias espécies do gênero Simulium (borrachudos). As principais manifestações são a presença de nódulos subcutâneos, lesões dermatológicas e secreções oculares que podem levar a cegueira. No Brasil a doença está restrita na área dos Yanomamis, que habitam os Estados de Roraima e Amazonas, onde vivem mais de dez mil índios.

PSITACOSE

A psitacose é uma doença infecciosa generalizada, ocasionada por um vírus denominado Chlamydia psittaci, que causa dores de cabeça, febre alta (40oC), calafrios, pulso lento e letargia. Casos letais são raros. A transmissão se dá pela inalação do vírus presente em fezes de aves contaminadas, tais como, papagaios, periquitos, pombos, perus e frangos. No entanto, a transmissão por aves não psitacídeos (periquitos e papagaios) é mais problemática e é uma fonte contínua de infecção humana. A transmissão do homem para o homem é rara mas pode ocorrer.

Como prevenção sugere-se quarentena e administração de tetraciclina a todos os psitacídeos importados. Deve-se ainda impedir o acesso de pombos nos parapeitos de janelas, telhados, etc.

SALMONELOSE

Os sintomas da salmonelose são dor abdominal aguda, diarréia, vômito e febre. O agente causador é uma bactéria do gênero Salmonella. O modo de transmissão se dá pela ingestão de alimentos contaminados, tais como ovos mal cozidos ou contato com fezes de animais (fezes de cães, gatos e aves em geral).

Caso apareça estes sintomas o paciente deve, imediatamente, procurar um médico.

TOXOPLASMOSE

A toxoplasmose é ocasionada por um protozoário, o Toxoplasma gondii, responsável por sintomas tais como dores musculares e um quadro de febre semelhante a gripe forte, porém, muitas vezes é assintomática. É uma doença importante para pessoas imunodeficientes e para o feto, que pode vir a morrer, ficar cego ou apresentar lesões cerebrais, caso a mãe contraia a infecção nos primeiros meses gestacionais. Em geral a doença é de evolução benigna,mas pode ser grave e ocasionar a morte, especialmente aos imunodeprimidos. A ocorrência da toxoplasmose é mundial e ataca tanto animais quanto o homem. Apesar da doença ser comprovadamente transmitida pelos gatos que liberam uma forma do protozoário (oocisto) nas fezes, especula-se que existam outras formas de contaminação, tais como a ingestão de carne mal cozida ou crua. Pombos, cães, porcos, carneiros, roedores entre outros animais parecem ser hospedeiros intermediários do Toxoplasma gondii.

Como medida de prevenção da doença sugere-se evitar contato com fezes de gatos e outros animais, bem como fezes de pombos e cozinhar bem a carne antes de ingerí-la.

TULARAREMIA

Doença transmitida por carrapatos devido infecção causada pela bactéria Pasteurella tularensis. São várias as espécies de carrapatos que podem transmitir esta doença: Dermacentor andersoni, D. variabilis, Amblyomma americanum, Rhipicephalus sanguineus entre outras.

 

ÚLCERA-DE-BAURU (ver LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA)

Fonte: Grande parte do material contido nestes textos foi baseado em Pessôa, S.B. & Martins, A.V. 1982. Parasitologia Médica. Ed. Guanabara Koogan S.A. 872 p