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Um
pequeno grupo de formigas pode ser a chave para entender os mecanismos
que regulam a organização de colônias de insetos e o desenvolvimento de
suas diversas castas, como rainhas, operárias ou babás.
Aliás, "pequeno" não é um bom adjetivo para usar em relação aos bichos.
Os supersoldados, formigas com mais que o dobro do tamanho de seus
parentes, não existem naturalmente na espécie Pheidole morrisi,
mas pesquisadores canadenses conseguiram induzir seu desenvolvimento em
laboratório.
Para tanto, eles aplicaram hormônios durante a fase larval dos insetos,
o que ativou genes que normalmente permanecem inativos.
Na natureza, essa estimulação das larvas, feita pelas formigas adultas,
também acontece, mas resulta apenas na diferenciação entre rainhas e
operárias.
No artigo publicado na revista "Science", o coordenador do estudo, Ehab
Abouheif, explica que os supersoldados são uma forma ancestral da
espécie, que no passado era crucial para a defesa do ninho contra
invasões de predadores.
No entanto, a mudança de hábitos do inseto ao longo do tempo tornou essa
casta obsoleta, fazendo com que ela deixasse de se desenvolver
naturalmente.
"O que estamos mostrando é que o potencial evolutivo continua presente
nesses indivíduos e que ele pode ser estimulado por fatores ambientais",
afirma ele.
O segredo dos pesquisadores foi adicionar mais uma etapa de estimulação
pelos hormônios, provocando a nova diferenciação.
Embora o objetivo do experimento tenha sido entender a diferenciação das
formigas, os autores defendem que o modelo pode servir para estudos
semelhantes em outras espécies, não só insetos.
Fonte: BOL Notícias - 09/01/2012 |